terça-feira, 22 de março de 2011

Vislumbre Quimérico

     O vazio em minha alma aumenta a cada noite. Sinto cada vez menos os sentimentos mais nobres e ocupo o vazio com minha Ira pelos vermes da sociedade, os assaltantes, estupradores, corruptos e malfeitores. A cada noite eu acordo e olho pela minha janela, olho para as ruas abandonadas pela ordem e pelo progresso, olho para ruas negras, sujas de violência, luxúria e corrupção. Eu vejo todo o miasma que infesta as vielas e as alcovas, eu vejo toda a imundice que percorre as vias públicas impunemente, eu vejo a cidade sangrar com as punhaladas que recebe, e gritar um grito abafado de socorro.
     Estou sentado na minha poltrona, em meu apartamento mórbido e luxuoso. Ganho meu dinheiro de forma honesta no ramo imobiliário, assim como o pai que eu um dia tive também fazia. Tenho vinte e seis anos e estou tecnicamente morto à onze meses. Mesmo morto não consigo olhar para esta cidade e aceitar que ela também morre, sofrida e lentamente à cada noite enquanto os responsáveis lavam suas mãos para evitar crucificar o eleito pelo povo e acabam sacrificando o mais puro e nobre.
     É assim que abasteço minha Ira, é assim que mantenho aceso a fornalha do meu ódio. É inadmissível que as coisas sigam este rumo, é inconcebível que o poder legal e oficial, creditado pelo povo, escolha sempre fechar os olhos, virar a cara e lavar as mãos para a guerra urbana e o massacre dos miseráveis que existe. Onde está o dinheiro dos impostos que pagamos para a lei ser mantida? Onde está a justiça e a assistência? Em uma terra onde a lei é feita pelas balas dos criminosos, a impunidade reina e o egoísmo, a gula, a luxúria e o caos imperam.
     Sou um homem forte e já suportei coisas que as pessoas nem sequer conhecem, mas Deus sabe como é difícil suportar a Ira que a impunidade alimenta em meu peito. Deus sabe como é sofrido suportar a pressão causticante em minha alma. Choro ao ver as coisas como estão. Grito ao me ver sem saída, envolto neste sentimento de revolta e ter que admitir a perda de minha esperança.
     Oro à Deus todas as noites e vejo que ele a pôs em meu caminho, não como uma solução ou uma benção, mas como mais uma maldição que arranca o coração de meu peito com crueldade, me fazendo escolher entre o doce amor, a ardente e sufocante paixão, ou a impiedosa e implacável vingança contra os malditos bastardos que me fizeram ser o que sou. Bela e pura Victória, anjo que acalma minha alma, que preenche meu vazio. Juro pelo sol que não posso ver que não entendo como ela pode fazer isso comigo. Eu que envolto em revolta, virilidade e anarquismo me vejo tão frágil em sua presença, forçado a impor um monstro que não quero ser para obter sua atenção e usar de ferrolhos forjados pelo medo para manter-lhe presa a mim e incapaz de usar sua doçura para arrebatar minha alma.
     De pé eu me ponho e olho para os trovões que cortam o céu. Ó Deus! Eu perco o sono pensando.

"Penso na paixão, na loucura e na razão.
Vejo a noite, a lua e as nuvens.
Vejo tudo o que me falta em meus pensamentos.
Vejo o que deveria ter e o que realmente tenho.

Avalio a distância entre a realidade e a fantasia
Penso no tempo perdido
Penso no calor dos corpos nús
Penso na leveza da alma

Como quebrar o minimalismo
que tanto assola
minha visão?

A paixão pela loucura
é a liberdade da aflição,
ou o início do tomento?"

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Um lembrete para os VIPs

     O sol se pôs, as sombras da noite cobrem a cidade, tornando o que é proibído muito mais tentador, muito mais gostoso. Quando a maioria das pessoas se arruma para sair, quando todas as pessoas que fazem a sociedade, que contribuem para o funcionamento da sociedade, que alimentam a grande máquina consumista só porque lhe dizem que deve ser assim, que essa é a melhor forma de se viver; as pessoas que seguem os "bons" costumes que a sociedade impõe, que gastam $800 em uma bolsa que vai ser usada menos de uma vez por mes, mas não dão nem $150 para uma obra de caridade ou uma instituição filantrópica; pessoas que gastam $1500 em uma noite, apenas por diversão, alimentando o narcotráfico, a prostituição e a própria soberba, mas nem se dignam a visitar um hospital, um asilo, um orfanato; pessoas que roubam, sequestram, estupram e agem de má fé sobre quem tem boa fé. Sociedade, àquela que é tida como uma entidade independente que manda e desmanda, mas que é alimentada e criada pelas mesmas pessoas que reclamam de seus abusos, de seu lado ruim, de sua podridão pérfila que inunda as ruas mais e mais a cada dia.
     Não falaremos de crimes apenas, porque crimes só são crimes quando a sociedade diz que eles são transgressões à lei criada pela sociedade com a finalidade de manter a própria sociedade, o próprio "sistema"; falaremos de virtudes, conceitos inerentes ào Homem, virtudes como Amor, Caridade, Castidade, virtudes como Temperança, Fortaleza, virtudes que combatem defeitos, virtudes que destróem a "boa" sociedade, a mesma sociedade consumista, hipócrita e demagoga que faz um homem roubar para se alimentar e depois o condena por crime, a mesma sociedade que impõe "obrigações" de consumo para manter um status, fazendo muitos desafortunados começarem a roubar para alimentar seu padrão de vida "àos moldes da sociedade", satisfazendo vícios como o Egoísmo, a Luxúria, a Gula, a Avarez.
     A verdade é que a sociedade atual é uma merda, força as pessoas à venderem o almoço para garantir a janta, implanta o desnível social, conduz as pessoas a um desespero que só é temporariamente, e eu repito, temporariamente, sanado, quando o ego é inflado pelo consumismo. Essa é a verdade e a verdade, nos dias de hoje, é um luxo para os que pensam por si só e buscam tornar o mundo um lugar mais justo. "O mundo não é justo", é o que dizem, é o que nos fazem acreditar. Eles tem razão, o mundo não é justo por inteira culpa de todos. Cada um que alimenta a desordem da sociedade é responsável pela criação de assassinos, ladrões, traficantes, sequestradores e estupradores.
     Eu estou muito feliz. Feliz por vocês, todos vocês, pessoas boitas, jovens, que fazem tudo por beleza, fama, sucesso e dinheiro, estou muito feliz por vocês existirem, seres humanos medíocres, mortais de péssima estirpe. Estou muito feliz porque são vocês que mantém minha fortuna, meu domínio sobre a sociedade. São vocês, bonecos de fantoches que oferecem os cordões para serem puxados, que dão poder a pessoas como eu, à Monstros como eu.
     Vejo esta expressão de desapontamento toda vez que tenho esta conversa com um mortal. Você não achou realmente que eu estava reclamando da sociedade, achou? Quero dizer, olhe para mim, bela e imortal, cheia de poder, poder extraído do domínio que exerço sobre pessoas como você. Poder que vocês, mortais imbecis e pútridos me oferecem de bom grado noite após noite, apenas por mais uma dose das tentações que posso oferecer-lhes.
     Parabéns, continuem assim, eu os aplaudo com grande entusiarmo e vivacidade toda vez que posso. Seus merdas.

                                                                                       - Helena, falando com sua presa.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

O Caminho até aqui

     David nasceu em berço de ouro. Sua família muito rica, dona de uma empresa no ramo imobiliário. Seus pais sempre o criaram com muito amor e afeto como filho favorito, seus irmãos mais novos eram unidos, apesar das implicancias e brigas. David não era muito popular na escola e tinha poucos amigos, sempre foi alvo de implicâncias e sempre guardou suas mágoas, evitando de revidar as agressões e o repudio. Quando cresceu, decidiu que iria estudar direito e tornar-se advogado. Sua vida era boa e comum, até acontecer a tragédia em sua família. Certa tarde, enquanto David estudava na casa de um amigo, um bando de sequestradores invadiu a propriedade da família e fez refém toda a sua família. Os policiais demoraram a agir e toda a família de David foi morta durante o tiroteio que houve na casa.
     Jovem, sozinho e cheio de dinheiro, indignado pela perda de sua família e com raiva do destino que se abateu sobre ele, David se revoltou com a sociedade, passou a arrumar confusão com os valentões da escola, se inscreveu no clube de tiro, começou a aprender karatê. Após sua formatura passou a frequentar a vida noturna e estava decidido a não mais estudar direito, mas sim, ser policial para poder exterminar cada verme que compõe a escória da sociedade e foi aí que David tornou-se realmente agressivo.
     Decidido a não mais morar na grande casa de sua família, David vendeu a propriedade e comprou uma cobertura em um prédio de classe média alta, resolveu tentar tocar os negócios de seu pai no ramo imobiliário, com ajuda de Bob, seu tutor legal e grande amigo de sua família. Ingressou na academia de polícia, onde estudou para ser detetive.
     David a conheceu em uma festa, linda e sensual, em um vestido provocante, ela o seduziu e o levou ào abraço. "Ela estava certa, foi uma noite inesquecível".
     Duas semanas depois ele já estava se habituando à não-vida, apesar da raiva contida que começava a se libertar em cima Dela, ainda não apresentado ao Sabá, houve um evento que o fez libertar toralmente sua Ira, e a transformou na perturbação que é hoje. No beco, mutilando os estupradores, ele descobriu que ela não o tinha amaldiçoado apenas, mas potencializado suas capacidades para sua vingança contra a escódia social.
     Quando conheceu o Sabá e viu do que se tratava, ele fugiu. Tentou matar Christine, sua Senhora, mas percebeu que não poderia e por isso fugiu para longe de Detroit, vendendo a empresa de seu pai, transformando Bob em um carniçal e forçando-o à lealdade pelo Laço de Sangue, artimanhas ensinadas pela vadia demagoga.
     David perambulou pelo país até chegar em Los Angeles, achando que Ela tinha perdido sua pista após oito meses de fuga. Em Santa Mônica ele começou a se estabelecer, conheceu Helena que lhe levou o instruiu quanto às Leis da Sociedade de Sangue. Helena sentiu-se seduzida por David, principalmente por ele ser uma presa difícil e resistente à sedução dela, ela o tomou, finalmente, como amante e tentou doma-lo, mas a natureza rebelde de David não permitiu que o charme da Toreadora o dominasse, fazendo com que ela sinta um certo rancor dele até as noites de hoje.
     O jovem Lasombra foi apresentado ao Príncipe e foi aceito na cidade, abriu uma imobiliária, em honra a seu falecido pai, mantendo Bob, seu ex mordomo, como dono legal da empresa. David habita uma cobertura luxuosa em Santa Mônica, o lugar tem uma aparência fria e com uma arrumação perfeita. David conheceu a bela e doce Victoria, que é uma mulher forte mas não resiste à presença assustadora sedutora que David exerce sobre ela. Victoria, com seu jeito feminino e mortal é a opção mais próxima para a salvação de David, pois ele sente que pode tentar ser feliz temporariamente com o que ele chama de "namorico" com Victória. A cada noite sua insanidade o leva mais para baixo na trilha da humanidade. Victoria também exerce influência sobre David, pois há umas doses de paixão mútua entre eles.
     A vingança contra os vermes da sociedade, proposta pro David, aos poucos o levou à uma obsessão compulsiva que se atenuou após seu abraço. Hoje, ele caça pessoas más, desvirtuadas, que causam mal deliberado à inocentes; hoje David caça a escória da sociedade, esperando o momento mais oportuno para ataca-los, tortura-los fisica e mentalmente, para depois mata-los da forma mais cruel que vier à sua mente tomada pela insanidade.
     Mesmo se apresentando ao Príncipe e pedindo permissão para residir em Los Angeles, David se mantém independente, não jurando lealdade à nenhuma seita. A "vadia", como a chama, é uma ductus de um bando no Sabá em Detroit. Ela não engoliu a fuga de David antes dos Ritos de Criação e não aceitou pacificamente a tentativa dele de mata-la. Christine sente uma atração sexual por David que não sentia nem mesmo quando estava viva. Ela o quer no bando e fará qualquer coisa para puni-lo e traze-lo de volta. Na cabeça dela, ele tem que se dobrar à vontade dela.
     Alto, com cabelos negros e lisos, até o queixo. Pele bem clara, meio pálida. Raramente David usa o poder do sangue para a própria aparência, que já o faz belo e letal o suficiente para seduzir e amedrontar. Costuma vestir-se com jeans ou couro, geralmente botas tipo coturno; geralmente com um casaco grande e "pesado".
     Hoje, David vive em uma linha tênue entre fazer cumprir sua vingança psicótica e obsessiva contra os vermes sociais, ou abraçar sua humanidade junto à Victória. Seja como for, David é um celebrante apaixonado; apaixonado por pela punição que infringe à escória; apaixonado pela sua mortal Victória; apaixonado pela sua liberdade e independência.